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Cantigas de ninar vento
Ilustrações: Cristina
Biazetto
Músicas: Jorge Hermann
Arranjos: Marcelo Nadruz
Kalligráphos, 2004
Sons, imagens e palavras são.
Signos tão luminosos, tão frescos e tão saborosos: brotando de uma
inspiração distante-medieval como a claridade da noite, castelos,
mosteiros, caminhos maravilhosos nos acordes do sonho... Trovar.
Trovar é encontrar uma idéia, inventar, criar
porque "toda noite o céu se troca". São palavras, imagens, sons: as senhas
e seus sinais.
E não me canso
de dobrar leituras sobre estas cantigas que me chegam novas. Gláucia de
Souza trova brinquedos, doçuras e tritezas numa estrada onde verdejam
muitas redondilhas, maioria delas maiores, sete sílabas para encantar.
Cristina Biazetto trova reflexos tão bons de olhar, vai retomando imagens
que todos nós possuímos no baú da memória, ao traduzir sugestões deixadas
entre-palavras.
A cantiga-título me diz:
para ninar vento que corre, só uma trança de cabelo:
voando trovoada, voando a mil e um castelos:
poderá capturá-lo para dormir. E, da página que é noite azul, vejo imenso
pássaro com penas cor de fogo carregar uma menina tal qual a donzela que,
em outro conto-canto, viveu anos à torre: vai agora firme às asas, a longa
trança laçando a distância...
Cantigas de ninar / cantigas medievais:
Jorge Herrmann trova melodias antigas e Marcelo Nadruz trova atmosferas em
seus arranjos. Vale a pena ler-ver-ouvir encantamentos. Para acabacomeçar
no fimeço-do-comecim: suave é a cantiga da partida, retomando afetos e
desejos de mãe: um grande anel é objeto-mágico de sua benção para a viagem
que se rompe num barco de papel.
Peter O´Sagae
Dobras da Leitura
Formato: 36 pp. / 16x16 cm
ISBN 85-88577-02-x |