Passei minha infância e adolescência no Rio de Janeiro, que era bem diferente do Rio de hoje: quando eu era pequena, ainda podia sentar na calçada e esperar pelo sorveteiro gritando "Olha o Chicabon!".

Brincava de contos de fadas que minha mãe lia para mim. Era uma coleção que eu colocava sobre o chão em forma de degraus pra fazer de castelo e fingir que eu era a Bela Adormecida.

Ainda pequena, esperava minha mãe voltar do trabalho na varanda da nossa casa. Ela sempre me trazia revistas, mas a que mais me marcou por causa das histórias que trazia era a Revista Recreio.

Depois, na pré-adolescência, lia todas as férias o livro Cazuza, de Viriato Corrêa. Lia também muitos livros de mistério da Coleção Vaga-lume.

Aos quatorze anos me apaixonei por Manuel Bandeira e carregava sua Antologia Poética para a escola todos os dias. Hoje, gosto de ler bastante coisa, principalmente literatura infantil e poesia. Ainda leio muito Manuel Bandeira. Gosto de Manoel de Barros e de Clarice Lispector.

Dos autores para crianças, gosto muito dos poemas do José Paulo Paes, que, através de sua tradução, me deixou conhecer Edward Lear: os poemas dele são super sonoros e absurdos! Gosto também de Cecília Meireles e seu trabalho para a infância... Ela fez poemas para crianças sem achar que poemas servem para ensinar. Era professora e tentava trazer para a Educação uma visão nova! Além disso, gostava de gatos...

Sou formada em Letras e tenho Mestrado em Educação. Moro em Porto Alegre desde 1994. Dou aulas de Língua Portuguesa e Literatura no Colégio de Aplicação (UFRGS).

Escrevo sempre que me dá vontade!

A poesia tem esta facilidade. Gosto de escrever principalmente quando me sinto "presa": numa sala pequena, fazendo atividades desinteressantes, por exemplo! Acho que "inspiração" é resultado de muito trabalho: trabalho com a palavra. Já escrevi textos porque me pediram e não acho que isto atrapalhou o meu envolvimento com a escrita.

Carrego na minha bolsa pequenos cadernos onde registro tudo o que quero escrever: anotações de frases, palavras que acho que combinam e poemas inteiros também. Quando vou comprar estes cadernos, tento descobrir qual deles tem "a cara" do que quero escrever. Uma vez, encontrei um caderninho tão pequeno, mas tão pequeno, que me deu vontade de escrever nele micro-poemas!